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“Abbiamo fatto 30 facciamo 31!” – Uma Peça Sonora de Manuela Barile

“Abbiamo fatto 30 facciamo 31!” é uma expressão italiana que significa aceitar empreender uma tarefa imprevista adicional, depois de já se ter decidido fazer muitas outras coisas. 31 é também o número de aniversários que já cumpri. Com esta peça sonora pretendo apresentar-vos algumas das linhas temáticas do meu trabalho artístico: a memória pessoal e colectiva, a infância, a dor, a morte, o sentido dos lugares, a autenticidade, o abandono, a esperança.

Na escolha dos vários trechos que compõem a peça reflectem-se as várias experiências da minha vida e a forma como me coloco perante a vida, ao procurar meter-me em jogo, ao não tomar as coisas de forma demasiado séria ou pesada e ao acolher positivamente os imprevistos, assumindo os riscos inerentes.

As composições da minha autoria utilizadas nesta peça sonora são: Lullaby for Whales (2003), Larve Gongolanti (2004), Cik Ciak Song (2006), On the Wing (2006), Ossessione (2009), Pesa (2009) e Moroloja (2009). Dela fazem parte também um excerto de um concerto de “La Scatola” (um projecto intermedia concebido por mim e pelo artista sonoro Rui Costa em 2007) e “Five Instruments and a Gun”, uma peça escrita pelo compositor austríaco Arnold Haberl (a.k.a Noid) e interpretada em 2008 por mim e por outros quatro músicos na paisagem envolvente à aldeia de Nodar.

Nesta peça sonora estão também presentes as vozes de algumas pessoas próximas de mim (o meu filho Samuel, o meu companheiro, a minha avó, a minha mãe, o meu pai, os meus tios, a tia Ilda de Nodar, velhos e novos amigos), assim como referências a canções que assinalam momentos importantes da minha maturação pessoal, filmes, excertos de desenhos animados da minha infância, referências a lugares onde habitei ou habito (Bari, Londres, Bolonha, Nodar) e vozes de artistas, por coincidência (ou talvez não) todos já desaparecidos: Andrei Tarkovski, Matteo Salvatore, Maria Callas, Anna Magnani, Carmelo Bene e Pier-Paolo Pasolini, em cujos percursos de vida e de arte me revejo muitíssimo.

Em Ossessione (2009), Pesa (2009) e Moroloja (2009) a minha voz foi gravada em campo. Actualmente a minha pesquisa artística constrói-se sobre e para os lugares, tendo não só em conta as propriedades acústicas desses lugares por mim escolhidos, mas também outros aspectos que vão desde a memória e a tradição até aos aspectos de conformação natural do território, das simbolizações rituais e sagradas aos “genius loci”.

Manuela Barile

 

Biografia e Pesquisa Artística

Manuela Barile (n. Bari, Itália em 1978) é uma artista multidisciplinar e performer vocal italiana residente em Portugal.

A sua pesquisa artística assenta num trabalho projectual que combina os sons da voz com diversos media (performance art, field recordings, vídeo, fotografia, escrita, desenho) e utiliza diferentes formatos de apresentação (instalações sonoras e vídeo, composições sonoras, concertos-performances, etc.).

A conexão entre o público e o privado tem sido uma constante interrogação no seu trabalho, bem como a ligação entre as memórias e recordações colectivas. Ela concebe a sua arte como uma investigação contínua na realidade onde a artista coloca questões e dúvidas no sentido de captar as subtilezas ocultas da vida e da nossa actual condição.

A arte de Manuela Barile nasce da uma indagação subtil e minuciosa em redor das pequenas coisas da realidade quotidiana aparentemente banais e insignificantes as quais, através de uma amplificação sensorial a que são sujeitas durante o processo criativo, assumem um sentido de “revelação” e de “necessidade”.

Utilizando uma linguagem simples, feita de símbolos e de metáforas, a artista procura criar situações de aparência enigmática, entre o familiar e o estranho, nas quais tudo é colocado continuamente em discussão e onde emerge o seu sentido de humor, do paradoxo, o prazer do risco e sobretudo o desejo de divertir-se sem levar-se demasiado a sério.

A sua abordagem à vocalidade é lúdica e espontânea; reflecte a sua ligação com a natureza, os animais e o ambiente que a circunda, dos quais busca continuamente inspiração. Através dos seus sons, a artista procura dar voz a ecos longínquos difíceis de serem expressos por palavras, que retornam ao presente com grande intensidade.

Manuela Barile já trabalhou ou colaborou com Mario Volpe, Gianni Lenoci, Mainha maturação pessoal, filmes, excertos de desenhos animados da minha infância, referências a lugares onde habitei ou habito (Bari, Londres, Bolonha, Nodar) e vozes de artistas, por coincidência (ou talvez não) todos já desaparecidos: Andrei Tarkovski, Matteo Salvatore, Maria Callas, Anna Magnani, Carmelo Bene e Prcello Magliocchi, Amy Denio, Phil Minton, Tristan Honsinger, Rinus Van Alebeek, Duncan Whitley, Anna Hints, Evelyn Müürsepp, Tiriddilliu, Claudio Parodi, Alessandro Buzzi, Chris Iemulo, Rui Costa, Paulo Raposo, Antez, Ernesto Rodrigues, Nilo Gallego, Dennis Báthory-Kitsz, Madamme Cell, Maile Colbert, Pali Mersault, Cédric Anglaret, Noid, etc. As suas composições vocais foram incluídas em vários filmes, documentários, projectos de vídeo arte (Annamaria Ippolito, Patricia Leal, Xaquin Rosales, etc.). Trabalhou igualmente com teóricos e coreógrafos de dança (Bojana Bauer, Paula Pinto).

Em 2006 participa com o artista italiano Pino Pipoli em “Una Notte di Arte Totale “inaugura” Fresco Bosco” evento inaugural da exposição “Fresco Bosco” curada pelo famoso crítico de arte Italiano Achille Bonito Oliva no parque de Certosa di San Lorenzo em Padula (Salerno).

Manuela Barile iniciou em 2007 uma colaboração com o artista sonoro português Rui Costa para o desenvolvimento de um projecto intermedia intitulado ‘La Scatola’. Em 2009, aprofundou alguns núcleos temáticos de “La Scatola” através do projecto “Locus in Quo”, um conjunto de instalações sonoras / vídeo e performances que indagam vários aspectos relacionados com o sentido dos lugares.

Manuela Barile é co-directora artística da Binaural, uma associação cultural portuguesa que se dedica à promoção de som e artes intermédia desenvolvida num contexto rural. A Binaural dirige desde 2006 um programa de residências artísticas em Nodar, uma pequena aldeia no centro de Portugal.

Websites:

www.manuelabarile.com

www.binauralmedia.org

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Neste reinício, olhámos para a época dourada dos jogos arcade, nos anos 80 do século XX. A história desta forma de entertenimento remonta à decada de 30 desse século, com o aparecimento das máquinas de pinball, em madeira e baseadas em princípios mecânicos, que foram largamente utilizadas nos salões de jogos e parque de diversões da época, e progride lentamente até 1958, quando William A. Higinbotham, físico no Brookhaven National Laboratory (em Upton, NY), criou "Tennis for Two", um jogo baseado na tecnologia do osciloscópio, para tentar animar os entediados visitantes do laboratório, indtroduzindo na prática o conceito de videojogo. Diz a lenda em redor da matéria que Nolan Bushnell, que mais tarde fundou a Atari com Ted Dabney, terá visitado o Brookhaven National Laboratory na sua adolescência. A sua empresa acabou por ser crucial para a expansão dos jogos de video em 1972, quando começou a distribuir o seu primeiro fenómeno, Pong. Nos anos seguintes a indústria fluoresceu, com títulos como Space Invaders ou Pac-Man, que foram imensamente populares, sobretudo nos Estados Unidos e Japão, durante toda a década de 80 e inícios de 90, quando as tecnologias de entretenimento doméstico disponíveis atingiram o mesmo grau de sofisticação que as "máquinas de moedas".

É nesses anos (entre 1982 e 1986), que se situam as gravações de Classic Arcade Sounds. O autor, não identificado, e o seu melhor amigo Raymond cresceram nos salões de jogos do Estado de Nova Iorque, onde fizeram as gravações com um gravador Sony TCS-310 Stereo dos sons que faziam as máquinas de jogos, e apanhando inadvertidamente alguns dos seus próprios comentários. Estas gravações estiveram perdidas na casa dos pais do autor, em Ithaca, NY até 1997, quando se mudou para o Oregon e, no processo, encontrou as velhas cassetes que agora disponibiliza no seu site, e que constituiram a maior parte do Zepelim de hoje, complementadas com alguns sons originais desses jogos.

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Nesta emissão convidámos Luís Antero para assumir os comandos da realização do dirigível Zepelim e nos apresentar 52′ do seu trabalho mais recente, alguns inéditos e as suas últimas edições da colecção Sound Narratives, com especial destaque para o volume 6, editado este mês pela net label MiMi Records, divididos pelos símbolos Água e Terra. Luís Antero dedica-se à recolha fonográfica natural e etnográfica, mais do que um conhecimento técnico, Antero demarca-se pela sensibilidade e humanismo nas suas narrativas sonoras:

“Podemos considerar os usos e costumes das gentes da Beira Serra, os seus saberes orais, as lendas de tempos imemoriais contadas pelas vozes da sabedoria popular, como produtos culturalmente endógenos? A fauna e flora existente nas nossas serras, os rios, ribeiros e riachos que as enchem de vida cristalina, podem também ser considerados produtos culturalmente endógenos? Creio que sim! [...] arquivo sonoro, de pessoas e locais, funcionando em regime work in progress [...] [...] gravações de campo de elementos naturais como forma de preservar um património natural e ao mesmo tempo uma memória fonográfica colectiva local”

1ª Parte – Água

Duração/Faixas/Comentários de Luís Antero
1. 00:00-06:46

«O Mar (TLuis Anteroocha – versão 1)» (06:46) | faixa nunca editada
Gravação do som da água do mar efectuada na Praia da Tocha, concelho de Cantanhede, no Domingo, 21 de Junho de 2009, às 18:00. Para além do mar ouvem-se também nesta gravação as vozes solarengas e felizes das pessoas que se banhavam a esta hora do dia, bem como algumas gaivotas.

2. 05:30-12:20
«Luso Ambience (Água)» (14:15) (excerto) | faixa nunca editada
Gravação efectuada na vila do Luso, concelho da Mealhada, no dia 23 de Junho de 2009, às 13:00. Nesta gravação ouve-se a água que cai das bicas, assim como o encher de garrafões das várias pessoas que ali se deslocam, algumas conversando, outras não, assim como a água que cai nas duas fontes situadas na praça da capela…

3. 12:30-19:50
«Big Wheel» (09:55) (excerto) | faixa do EP «Big Wheel», editado na alemã Konkretourist em Junho de 2009 | http://konkretourist.de/
Gravação, na aldeia de S. Sebastião da Feira, concelho de Oliveira do Hospital, no dia 28 de Maio de 2009, às 18:00, de uma antiga nora de água, ainda em pleno funcionamento, à beira do Rio Alva, responsável por levar a água às terras de cultivo. Nesta gravação pode notar-se a dinâmica sonora desta nora, à medida que a circundava.

4. 19:30-22:00
«Water Song – Part 1» (02:34) | faixa do EP «Big Wheel», editado na alemã Konkretourist em Junho de 2009 | http://konkretourist.de/
Esta faixa comporta dois momentos de gravação diferentes: água e voz. O som da água foi gravado na pequena localidade de Parente, freguesia de Alvoco das Várzeas, concelho de Oliveira do Hospital, em pleno Rio Alvoco, numa zona de rápidos do açude do Candam. A voz, de Carol Nike, americana a residir por estas paragens, foi gravada dois dias depois da gravação da nora de água, na sua residênc

2ª Parte – Terra

Duração/Faixas/Comentários de Luís Antero
1. 22:00-25:00
«Pastorícia # 2» (03:08) | faixa do EP «Sound Narratives, Vol. 6», editado este mês pela net label portuguesa MiMi Records | http://www.clubotaku.org/mimi/pt/album110.php
Gravação efectuada na freguesia de Pinhanços, concelho de Seia, no dia 11 de Fevereiro de 2009, às 17:30. Esta recolha regista o momento em que o pastor chama as ovelhas para o redil, para que possa proceder à ordenha. Esta é uma prática muito em voga nesta zona, de onde sai o famoso queijo da Serra da Estrela.

Luís Antero 2. 25:00-25:40
«Pastorícia # 3» (00:42) | faixa do EP «Sound Narratives, Vol. 6», editado na portuguesa MiMi Records em Junho de 2009 | http://www.clubotaku.org/mimi/pt/album110.php
Gravação efectuada na Quinta da Costa, freguesia de Bobadela, concelho de Oliveira do Hospital, por volta das 17:30 . Aqui pode escutar-se um pequeníssimo relato de vida pastoril, com o Ti António, pastor sábio e vivido.

3. 25:40-34:40
«SN # 6» (09:10) | faixa do EP «Sound Narratives, Vol. 6», editado na portuguesa MiMi Records em Junho de 2009 | http://www.clubotaku.org/mimi/pt/album110.php
Gravação efectuada em Aldeia das Dez, concelho de Oliveira do Hospital, numa sexta-feira do mês de Abril, a partir das 17:30. Nesta gravação pode ouvir-se o badalar das horas no sino da igreja, as crianças que brincam na rua, os cães que ladram de desconfiança, as gotas de água que caem na velha fonte, o cabrito amedrontado ou a árvore de badalos e chocalhos do poeta Viriato Gouveia. Enfim, uma certa identidade sonora de Aldeia das Dez, naquelas horas em particular…

4. 34:30-43:37
«cbr 11 am» (09:37) | faixa do EP «Sound Narratives, Vol. 5», editado na portuguesa Enough Records em Abril de 2009 | http://enoughrecords.scene.org/
Gravação em Coimbra, na zona da baixa, por volta das 11:00, num dia de ameno sol, em Fevereiro de 2009. Nesta gravação podem-se ouvir os operários das obras dos edifícios em remodelação, os carros que passam junto à Sé Velha, as aves residentes na zona da Sé… o ambiente próprio da baixa coimbrã a esta hora do dia.

5. 42:40-49:25
«SN # 5» (Goats) (06:45) | faixa do EP «Sound Narratives, Vol. 4», a editar brevemente pela inglesa Earth Monkey Productions | http://www.earthmp.com/index.html
Gravação na aldeia de Moura da Serra, concelho de Arganil, em plena Serra do Açor, no dia 23 de Fevereiro de 2009, às 15:00. Esta recolha tem a particularidade de ter sido efectuada, literalmente, no meio das cabras, ou seja, deitei-me no prado, junto a estes amorosos animais, de forma a captar as suas dinâmicas sonoras…

6. 49:00-51:58
«vai agora, ao fim de velho, cavar?» (02:58) | faixa do site www.luisantero.yolasite.com
Gravação efectuada em Alvoco das Várzeas, concelho de Oliveira do Hospital, no dia 20 de Dezembro de 2008, por volta das 17:00, ao pastor e dono de um rebanho de ovelhas, Zé Gonçalves.
Nesta recolha escutam-se notas de vida pastoril e de saudade abundante…

Discografia:

«Water Recordings» (Bypass, 2008) | «Sound Narratives, Vol. 1» (Bypass, 2009) | «Sound Narratives, Vol. 2» (Electro Rucini, 2009) | «Sound Narratives, Vol. 5» (Enough Records, 2009) | «Stall» – split EP com Marcus Küerten (Bypass, 2009) | «Collected Works» (edição de autor, 2009) | «Sound Narratives, Vol. 6» (MiMi Records, 2009) | «Big Wheel» (Konkretourist, 2009)

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O coração é dos órgãos mais importantes para a vida humana e, ao mesmo tempo, de todos o mais romantizado. Durante larga parte da história considerado como o receptáculo da alma ou como centro emocional e amoroso do ser humano, o coração mais não faz que bombear sangue para todo o corpo, permitindo a irrigação dos seus órgãos. Neste Zepelim, debruçámo-nos sobre os seus assuntos.

1. Emeralds – Alive in the Sea of Information [What Happened, 2009]

1.1. Mayo Clinic – The Circulatory System

1.2. Excertos da série televisiva “Era Uma Vez… O Corpo Humano“

2. Threshold HouseBoys Choir – Distonto [Amulet Edition, 2008]

2.2. Excerto da série televisiva “Era Uma Vez… O Corpo Humano“

2.3. Excerto de um documentário disponibilizado pela revista Super Interessante, sobre a “Fisiologia das Células do Coração”

2.4.Excerto da série televisiva “Érase Una Vez… El Cuerpo Humano“

3.Autor Desconhecido – La Sangre

4.Sparkling Wide Pressure - Rock Wall [Seven Inside and Out, 2009]

4.1.Autor Desconhecido - Circulation

4.2.Excerto da série televisiva “Era Uma Vez… O Corpo Humano“

5.Gregg Kowalski – Tendrils in Vigne [Tendrils in Vigne, 2007]

5.1.“The Tell-tale Heart“, short story de Edgar Allan Poe, lida por John Robinson

5.2. TransAmerican Medical – The Heart of Cardiac MRI

José Afonso Biscaia

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Zepelim dedicado à propaganda radiofónica emitida durante a Segunda Guerra Mundial e, em particular, à propaganda japonesa contra o exército dos E.U.A. protagonizada pelas vozes femininas que desencorajavam e desmoralizam os soldados americanos a travarem batalha no Pacífico Sul. Às enigmáticas vozes que saiam da rádio, os soldados americanos chamaram genericamente de Tokyo Rose. As Tokyo Rose, dirigiam-se aos soldados com familiaridade, emitindo canções de amor do folclore norte-americano com o intuito de exaltarem a saudade nos corações dos soldados. Outra das técnicas utilizadas pelas locutoras de rádio japonesas consistia em dirigirem-se individualmente a um soldado, tratando-o pelo nome próprio, falando-lhe da família e da namorada que deixara para trás provocando ciúme e desorientação. Com o término da Segunda Guerra Mundial a imprensa americana encontrou uma das supostas vozes da propaganda japonesa, Iva Toguri D’Aquino que se apresentava sob o nome de “Orphan Ann” tendo feito parte do programa The Zero Hour na Radio Tokyo. Iva Toguri D’Aquino nasceu em Los Angeles filha de emigrantes japoneses. A 5 de Julho de 1941, Iva Toguri viaja para o Japão com a finalidade de visitar familiares e a possibilidade deestudar medicina. Com o eclodir dos ataques a Pearl Harbor, Iva Toguri depara-se com a impossibilidade de regressar aos E.U.A. O governo japonês obriga-a a renunciar a sua cidadania americana e força-a a trabalhar na propaganda anti-EUA. Mais tarde em 1949 após uma longa investigação do F.B.I., Iva Toguri é condenada injustamente por crimes contra a pátria. Em 1971, o Presidente dos Estados Unidos Gerald Ford, concede-lhe perdão incondicional… Toguri morre a Janeiro de 2006.

Nesta emissão de zepelim, recuperámos algumas das raras gravações existentes de Tokyo Rose, e adicionámos alguns excertos ficcionados presentes no filme The Wild Blue Yonder (1954). Contudo, espreitamos também a propaganda radiofónica (This is War!) realizada nos Estados Unidos no ano de 1942 com o intuito de preparar a população para a Guerra contra o Japão e a Alemanha. Podemos ainda escutar algumas faixas retiradas da colectânea Last Kind Words (1926-1953) da Mississipi Records.

Carlo Patrão

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Inspirado no feriado nacional 10 de Junho, o zepelim criou uma colagem sonora de diversos registos associados a Portugal, desde testemunhos de imigrantes residentes no nosso país, à “cultura televisiva”, gravações de tradição oral ou aulas de português para principiantes… Uma emissão marcada ainda pela presença quase constante de sons de aves a partir de gravações de campo captadas em diversos locais do planeta por diferentes artistas, aqui como símbolo da presença e fluxo migratório dos portugueses pelos quatro cantos do mundo.

Alinhamento:

The North Sea – Eternal Birds [Exquisite Idols, 2007]

Aki Onda – For the Birds [Autumn Leaves - Sound and Environment in Artistic Practice, 2007]

Waltz – Birds Sing in the Halo Garden [The Fox and the Lonely Emperor, 2007]

Dot Tape Dot - Slow Birds for Mayo T [Schole Compilation Vol. 1, 2007 ]

Yuichiro Fujimoto – Birds, Cows, Dogs and Bells [The Mountain Record, 2006]

ocdc - II. Poppy [Piano Suites For Ella, 2009]

ocdc - I. The Day You Were Born [Piano Suites For Ella, 2009]

Ferrante & Teicher – Falling In Love With Love [Hi-Fireworks, 1953]

Koen Holtkamp - Free Birds [Make Haste, 2008]

Kyo Suayan - The Birds of Coyote Point [2009]

SO QUIET - Words Make Me Feel [Words Make Me Feel Ugly, 2007]

Zac Keiller - Migration [Migration]

Zac Keiller - Motion [Migration]

Chris Watson - ol-olool-o [Weather Report, 2003]

Luís Antero - Cantigas antigas_excertos [gravacao de campo em lagares da beira, 2008]

Koen Holtkamp - Bear Bell [Field Rituals, 2008]

Sons adicionais retirados de archive.org (Mi Barrio Portugal; O Preço Certo; Traditional Portuguese Music; Dress N Furtado; Dressing C Ronaldo; Classroom Objects; PEN Interface Hello Goodbye) e freesound.org.

Carlo Patrão

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No primeiro programa de Junho, Zepelim deixou-se levar até à praia, representada por diversos excertos de field recordings alusivas. A acompanhar, 3 peças de 92982, nova edição de William Basinski pela 2062, composta por peças gravadas no início da década de 1980 e pontuadas por ruído ambiente (sirenes, carros, helicópetros) da cidade, que ajudam a construir a ambiência melancólica típica no trabalho do texano. Ficámos ainda com “The Flood”, tema para o jovem Julian Lynch, artista promovido pela Underwaterpeoples Records, e que editou este ano o álbum “Orange You Glad”.

Alinhamento:

1. Autor Desconhecido – Let’s go to the Beach!!!

2. Jon Salimes – Beach Audio

3. Sierra Jenkins – Young Boys Playing Trumpet and Drum for Tips at Mercado Jamaica (Cidade do México)

4. William Basinski – 92982.1 [92982, 2009]

4.1. Dave Hattman – Carolina Beach, October 31, 2006 1:30am

5. William Basinski - 92982.2 [92982, 2009]

5.1. Sierra Jenkins – Aviary in Parque Lincoln, Polanco (Cidade do México)

6. Julian Lynch - The Flood [Orange You Glad, 2009]

7. William Basinski - 92982.3 [92982, 2009]

José Afonso Biscaia

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